Mercado de Velas Artesanais em 2026: o Que os Números Revelam Sobre o Boom do Setor

Institutos de pesquisa divergem sobre o tamanho do mercado de velas, mas os números do Brasil e do mundo mostram um mesmo movimento: o ofício virou negócio em escala.

Mercado de Velas Artesanais em 2026: o Que os Números Revelam Sobre o Boom do Setor

Por que ninguém concorda sobre o tamanho desse mercado

Se você procurar quanto vale o mercado global de velas, vai encontrar respostas bem diferentes dependendo de quem pesquisou. A Global Market Insights fala em US$ 21,3 bilhões em 2025. A Grand View Research calcula US$ 14,8 bilhões no mesmo ano. Já a Business Research Insights chega a US$ 7,49 bilhões. São três números para a mesma pergunta, com diferença de quase três vezes entre o menor e o maior.

Isso não significa que alguém errou a conta. A explicação mais provável está no recorte que cada instituto usa. Algumas pesquisas somam velas decorativas, aromáticas, votivas (aquelas pequenas, usadas em rituais religiosos ou como luz de emergência) e até velas industriais no mesmo balaio. Outras olham só para o segmento de velas perfumadas voltadas ao consumo doméstico. O resultado é que comparar esses relatórios lado a lado é como comparar receitas de bolo que usam farinhas diferentes: o produto final muda de tamanho.

O que todos os relatórios concordam, apesar da diferença de metodologia, é na direção: o mercado está crescendo. As taxas de expansão anual projetadas variam entre 2,9% e 7,5%, mas nenhuma delas aponta para estagnação ou queda. A Precedence Research, por exemplo, projeta o mercado saindo de US$ 15,02 bilhões em 2025 para cerca de US$ 28,27 bilhões até 2035, quase dobrando em uma década.

O boom das MEIs de vela no Brasil

Enquanto os institutos internacionais discutem bilhões, no Brasil o dado mais revelador vem de uma escala bem menor e mais palpável: o número de microempreendedores individuais (MEI) registrados na fabricação de velas. Segundo levantamento do Sebrae-SP com base em dados da Receita Federal, divulgado em maio de 2026, esse número saltou de 570 em 2021 para 1.685 em 2025. Um crescimento de quase 196% em quatro anos.

São Paulo capital lidera esse movimento, com 578 MEIs ativos no setor, seguida por Guarulhos, Campinas, Santo André e São José dos Campos. Fora da capital, a região do Vale do Paraíba, Vale Histórico e Litoral Norte também registrou um salto expressivo: de 30 MEIs em 2019 para 101 em 2026, alta de 236%.

Esse dado conta uma história diferente da dos relatórios globais. Ele mostra pessoas comuns, muitas vezes trabalhando em casa, transformando um hobby de fim de semana em fonte de renda formalizada. O crescimento não veio de grandes fábricas entrando no setor, veio da pulverização: mais gente pequena vendendo vela artesanal, provavelmente puxada pelo alcance que redes sociais e marketplaces deram a quem antes só vendia para vizinhos e amigos.

Luxo puxando a régua para cima

Um dos recortes mais curiosos dentro desse mercado é o segmento de velas de luxo, que cresce mais rápido que a média geral do setor. Segundo relatório de tendências da Accio para 2026, esse nicho deve sair de US$ 2,6 bilhões para US$ 4,8 bilhões até 2036, com taxa de crescimento anual de 6,3%. É uma velocidade maior do que a de vários relatórios sobre o mercado de velas como um todo.

Isso indica uma mudança de comportamento do consumidor: cada vez mais gente está disposta a pagar mais por uma vela que entrega uma experiência além da luz e do cheiro, seja pela embalagem, pela composição da fragrância ou pela história de marca por trás do produto. O segmento de velas aromáticas segue essa mesma toada, com a Future Market Insights projetando crescimento de US$ 4,1 bilhões em 2026 para US$ 6,4 bilhões até 2036.

Na prática, isso ajuda a explicar por que tantos ateliês artesanais brasileiros apostam em embalagens cuidadas, rótulos autorais e edições limitadas de fragrância. Não é só estética: é posicionamento dentro de uma faixa de mercado que está crescendo mais rápido que o resto.

Do balcão para o feed

Outro dado que ajuda a entender esse crescimento é a mudança no canal de venda. A Precedence Research aponta que o canal online já detém a participação dominante nas vendas de velas, embora o canal físico (lojas, feiras, pontos de venda tradicionais) ainda deva crescer a uma taxa saudável nos próximos anos.

Esse dado combina bem com o crescimento de MEIs brasileiros mencionado antes. Faz sentido: um artesão que produz velas em casa não precisa mais de ponto comercial para vender. Basta uma vitrine digital, seja em rede social ou marketplace, para alcançar clientes fora do próprio bairro. Isso baixa a barreira de entrada no negócio e ajuda a explicar por que tanta gente pequena conseguiu se formalizar nos últimos anos.

Quem lidera o mapa mundial

Em termos regionais, os relatórios também trazem pontos de atenção interessantes. A GMI Insights aponta a China com cerca de 33% de participação no mercado global em 2025, crescendo a uma taxa próxima de 5,2% ao ano. Já a Precedence Research indica a América do Norte como a região de maior participação, com 34% do mercado no mesmo ano. A Fortune Business Insights, por sua vez, credita à Europa uma fatia de 30% em 2025.

Essas diferenças reforçam o ponto sobre metodologia: cada instituto está, provavelmente, medindo pedaços diferentes do mesmo bolo. Mas um padrão comum aparece nos três: os mercados de clima frio, com estações internas longas, tendem a puxar o consumo de velas para cima. O Canadá é citado pelo Grand View Research como exemplo direto disso, com a indústria local avaliada em US$ 906,8 milhões em 2025, puxada pela procura por produtos de ambientação durante o inverno.

O que fica desse retrato

Juntando os pontos, dá para montar um quadro coerente mesmo sem um número único e definitivo de tamanho de mercado. O consumo de velas está crescendo em várias frentes ao mesmo tempo: mais gente comprando produtos de luxo e aromaterapia, mais pequenos produtores se formalizando no Brasil, mais vendas migrando para o ambiente digital, e regiões de clima frio mantendo a demanda historicamente alta por velas como parte da rotina doméstica.

Para quem trabalha ou pensa em trabalhar com velas artesanais, esse conjunto de dados sugere um caminho mais realista do que qualquer previsão isolada: o setor tem espaço para crescer, mas a disputa não é mais só por quem vende mais barato. É por quem entrega uma experiência que justifique o preço, seja pela fragrância, pelo acabamento ou pela história por trás do frasco.

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